Wikileaks, Tunísia e a mudança contínua

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Os hackers que fazem parte do grupo já estavam de sobreaviso, e esta postagem no Twitter apenas unificou suas ações para acontecerem no mesmo momento, gerando uma onda de ataques suficientes para derrubar temporariamente sites de grandes corporações. Embora possa parecer um evento isolado, a segurança cibernética emergiu rapidamente como uma questão importante na política mundial. Mesmo que o Twitter não possa ser considerado um dos responsáveis pelo ataque (ou seja, mesmo se o perfil não existisse, a ação também ocorreria de outras formas), certamente serviu de suporte para a organização do movimento.

regulierte binäre optionen broker Tunísia: a queda de Ben Ali

Há 23 anos no poder, o ditador Ben Ali renunciou ao governo da Tunísia, após um mês de ameaças e reações da população a seu regime corrupto e adepto da censura. Apesar de ser um país próspero em comparação aos seus vizinhos árabes, os tunisianos vivem sob uma espécie de “pacto” com o ditador, aceitando implicitamente um governo onipresente e controlador em troca de serviços públicos de qualidade. Entretanto, a corrupção e a desigualdade social, aliadas à censura das liberdades individuais e de imprensa, geraram um clima de insatisfação generalizada na população.

Os protestos iniciaram em dezembro de 2010, quando um jovem ateou fogo em seu próprio corpo em resposta a uma repreensão da polícia, que o proibiu de comercializar frutas na rua alegando a falta de uma licença do governo. Este episódio desencadeou uma onda de protestos da população tunisiana contra aspectos do governo de Ben Ali, como o alto desemprego. A resposta violenta das autoridades fez com que os militantes ganhassem ainda mais força. Entretanto, a mídia local estava proibida de cobrir os acontecimentos –  e aí é que entra o papel das mídias sociais neste movimento político.

Twitter e Facebook, como grandes redes de distribuição de informação, juntamente com blogs e sites de compartilhamento de vídeo como Youtube e DailyMotion, foram importantes fontes para abastecer a população sobre a situação alarmante do país, bem como alertar a comunidade internacional. Mais do que isso, as mídias sociais possibilitaram que os militantes organizassem seus próximos protestos de uma forma mais abrangente, concedendo maior visibilidade ao movimento ativista que, no dia 15 de janeiro, causou a renúncia de Ben Ali.

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Em resposta às declarações de Malcolm Gladwell, o professor e sociólogo Clay Shirky escreveu um artigo para a Foreign Affairs Magazine argumentando que as mídias sociais não deixaram as pessoas irritadas o suficiente para agir (em movimentos políticos, por exemplo), mas ajudaram pessoas irritadas a coordenarem suas ações. E que essas redes de comunicação online podem não liderar uma revolução, mas com certeza ajudam na sua concepção. Além disso, o acompanhamento das mídias sociais pode ter um importante papel de identificar os atores de influência nestas redes, desde pessoas que já estejam envolvidas no movimento até aquelas que apenas simpatizam com a causa, abrindo caminho para estreitar este relacionamento. A organização e o engajamento dessas pessoas podem ser cruciais para o sucesso de uma ação coordenada.

Ainda que o episódio Wikileaks tenha demonstrado o potencial de eficácia e organização das pessoas através da web, é precipitado atribuir exclusivamente às mídias sociais este mérito. A tecnologia e as ferramentas de web 2.0 vêm adquirindo um papel importante nos movimentos ativistas no papel de facilitadoras e catalisadoras, e não como responsáveis pelo processo. Assim, é pouco provável que possamos chamar os recentes episódios da Tunísia de uma Revolução Twittada, e a renúncia do ditador não é uma “vitória das mídias sociais”. Os protestos aconteceram porque os tunisianos estavam insatisfeitos perante um regime ditatorial de anos, que sufocava suas liberdades individuais, entre outras dificuldades.

O Twitter e as outras redes sociais adquiriram um importante papel de expressão e auto-organização para estas pessoas, mas sem este cenário de insatisfação e a conseqüente mobilização offline, a revolução não teria acontecido. Com essa ressalva, é inegável a contribuição expressiva das mídias sociais para o ativismo político da Tunísia, que assim como já demonstrado em outros casos (Irã, Wikileaks e Ficha Limpa), concedeu um ambiente de expressão e desencadeou reações na população, materializadas nos protestos físicos. A combinação dos fatores é que possibilitou o cenário que temos atualmente: a renúncia de Ben Ali, a iminente reconstrução política do país e possíveis conseqüências nos regimes vizinhos à Tunísia, conhecidos também por serem nada democráticos – e que estarão cada vez  mais vulneráveis a partir do momento em que a população identifica novas fontes legítimas de informação e expressão.

As possibilidades de interação, expressão e auto-organização que as mídias sociais proporcionaram a ativistas, hackers, militantes e a todos os envolvidos adquiriu um papel crucial nestes movimentos políticos, o que já contrasta com a opinião de Gladwell sobre a inconsistência e ineficácia do papel das mídias sociais em movimentos políticos. Certamente, é muito cedo para desprezar tal contribuição no âmbito do ativismo, bem como classificar as relações estabelecidas na web como construídas em torno de laços fracos. E, mesmo que fossem assim classificados, tais “laços fracos” ajudaram mais no fortalecimento destes movimentos sociais do que a mídia tradicional, através da criação de eventos que não poderiam ser planejados aos olhos da imprensa, mas que obtêm resultados inesperados e, em muitas vezes, proveitosos.

http://blog.pinkprincess.com/?svecha=metodi-per-guadagnare-soldi&989=ed metodi per guadagnare soldi Fontes:

http://www.newyorker.com/reporting/2010/10/04/101004fa_fact_gladwell

http://thelede.blogs.nytimes.com/2010/12/08/operation-payback-targets-mastercard-and-paypal-sites-to-avenge-wikileaks/

http://fluent.razorfish.com/publication/index.php?i=&m=6540&l=1&p=5&pre=&ver=swf

http://www.ethanzuckerman.com/blog/2011/01/12/what-if-tunisia-had-a-revolutio…

http://neteffect.foreignpolicy.com/posts/2009/04/10/moldovas_twitter_revolution_is_not_a_myth

http://www.huffingtonpost.com/firas-alatraqchi/tunisias-revolution-was-t_b_809131.html

http://www.foreignaffairs.com/articles/67038/clay-shirky/the-political-power-of-social-media

http://www.foreignpolicy.com/articles/2011/01/14/the_first_twitter_revolution?page=0,1

http://gigaom.com/2011/01/14/was-what-happened-in-tunisia-a-twitter-revolution/

http://technosociology.org/?p=263

http://www.nytimes.com/2010/12/10/world/10wiki.html

Para evitar a procrastinação: não finalize suas tarefas!

Início de ano é sinônimo de resoluções: ler mais, iniciar um novo projeto, parar de fumar – e pela internet afora encontramos centenas de dicas para transformar essas resoluções em realidade.

“Como melhorar seu foco e concentração” está sempre entre os “how to” mais procurados: a fuga da procrastinação. Não podemos começar o ano deixando para amanhã… bom, você já sabe o ditado. Entre os conselhos mais clichês para melhorar a produtividade, como concentrar-se numa tarefa só, não ser interrompido por pessoas e barulhos constantes e evitar o trio Gmail-Twitter-Facebook, encontrei uma dica pouco usual: não finalize suas tarefas.

Pode até parecer contraditório. Segundo Roald Dahl – autor de livros clássicos como A Fantástica Fábrica de Chocolate, – a melhor dica para evitar a tão temida procrastinação é… deixar as tarefas incompletas! Isso mesmo: o escritor recomenda que você não vá até o fim de um capítulo que está quase acabando, nem conclua aquele texto que exige mais um ou dois parágrafos. Pelo menos não antes de começar um projeto novo.

O lema é “nunca retorne para uma página em branco” e a ideia é a seguinte: quando estamos envolvidos em alguma coisa, adquirimos um ritmo de produtividade e, ao terminar, teremos que iniciar a próxima a partir do zero – quebrando a dinâmica. Uma página em branco é sempre assustadora, trazendo consigo bloqueios mentais. Ao perceber que estamos concluindo alguma tarefa, o ideal é interrompê-la e começar algo novo. Voltaremos depois e, ao conclui-la, teremos na manga um outro projeto já em andamento –  o que torna mais confortável que o continuemos, mantendo o embalo. Não é que faz sentido?

PS: mas tem que voltar e acabar a tarefa, viu? ;)

via Lifehacker